PERERECA PEGANDO FOGO – Doença do Trabalho?

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PERERECA PEGANDO FOGO – Doença do Trabalho?

O caso vivido lá pelo final do ano 2000, retrata uma situação prática de doença do trabalho com conotações que seriam cômicas se não fossem trágicas.

Antes de iniciar esta estória quero informar que os nomes, da empresa e das funcionárias, são fictícios.

Era uma empresa madeireira, fabricante de compensados de madeiras em que trabalhavam mais ou menos cem empregados, sendo a metade mulheres.

Uma das personagens dessa novelinha era a Lúcia, falava pelos cotovelos, vira e mexe arrumava uma encrenca aqui, outra alí, com as colegas de trabalho.

A gota d’água na paciência do gerente de produção foi certo dia quando Lucia foi ensinar uma empregada recém contratada a operar uma máquina de juntar lâminas.

Dizem que, de propósito, para não dar lugar para a novata, a danada desarmou o sistema de segurança e, por sorte grande a novata não perdeu as pontas dos dedos do pé direito. Isso era motivo para ser demitida por justa causa, o que não aconteceu, muita gente ficou desconfiada e com raiva da proteção que a danada recebia do chefão.

Encurtando a estória, a Ana foi transferida para o setor de limpeza.

Dias depois, Marilda que já tinha uma certa idade, casada ha mais de trinta anos foi até o seu ginecologista reclamando de dores e sensação de queimadura na sua perseguida. O dr. olhou, examinou, constatou uma forte irritação, fêz algumas perguntas das suas relações sexuais e receitou uma pomada anestésica dizendo: Isto é queimadura D. Marilda, como foi que isso aconteceu?
Olinda Ferreira era uma típica nordestina, baixinha de um metro e cincoenta e cinco, braba feito uma cabra da peste, chegou em casa naquele dia dando uma enorme bronca no maridão, foi logo de cara perguntando: Ô cabra, onde foi que você andou metendo este pinto? só pode ter metido em alguma coisa estragada e agora passou pra mim, tô todinha queimada na perereca, é coisa de cabra safado, vai logo falando antes que te meta uma peixeira nesse saco fedorento. E a briga continuou por mais alguns dias e o maridão negando até a morte que não havia dado nenhuma escapada.

Genair Santina, bela morena de rosto bonito, cabelos longos e muito namoradeira, logo depois do almoço, descansando na sombra de uma árvore e conversando com a amiga Marilda confidenciou que estava com uma coceira terrível nas partes íntimas, que não havia transado com ninguém há mais de quinze dias, o que podia ser essa coceira danada e ardia feito esfolada? perguntou para a colega.

Olinda que estava próxima ouviu e rapidinho disse: Ixê, ó xente! e não é que eu também estou com a mocinha pegando fogo, arde feito queimadura de urtiga, acho que foi coisa do Gervásio que andou com alguma quenga por aí e me passou doença de “muié” da vida.

Marilda arregalou os olhos e disse para as amigas que ela também estava com a perereca em brasa, que foi ao médico e que era uma queimadura.

No final da tarde mais oito outras mulheres reclamavam de queimadura lá nas partes baixas.

No dia seguinte  Lúcia, aquela faladeira e que quase arrancou o pé da colega, estava lavando o banheiro feminino quando D. Maria, a chefe da limpeza, chegou devagarinho por detrás da danada, foi chegando e percebeu que de um dos vasos sanitários saia uma fumacinha, olhou melhor e percebeu que estava repleto de pedras esbranquiçadas que se derretiam quando misturavas com a água.

Lúcia, que levou um susto, quase caindo de costas, quando a chefe pegou aquele pacote ao lado do balde com os panos de limpeza.

– Lucia! –  o que é isso menina? Você está pondo soda cáustica nos vasos sanitários? e pra que encher tanto, quase até a boca? Você não sabe que isto pode intoxicar alguém?

Até hoje, quase um ano depois da Lucia ser demitida, sem justa causa, não se sabe ao certo se ela encheu os vasos sanitários do banheiro feminino com soda cáustica por ingenuidade ou foi pura maldade para ferir uma das colegas na sua parte mais sensível.

A verdade é que o fato causou uma grande confusão, Olinda teve que pedir desculpas para o maridão Gervásio e tempos depois deu uma surra na  Lúcia quando encontrou-a fazendo compras dentro das Casas Pernambucanas; Genair Santina que havia conhecido um novo namorado depois de quase dois meses se fazendo de difícil, com a perereca recuperada passou a noite no motel.

O caso foi tratado sem que houvesse necessidade de emissão de CAT tendo em vista que nenhuma das pererecas queimadas ficou afastada mais do que três dias.

Todas as pererecas passaram por tratamento com pomada anestésica e voltaram a ficar novinha em folha.

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